19/04/11 | 2:17 PM
Duas fêmeas de Sauim Castanheiras são encaminhadas para zoológico de Bauru (SP)

O Refúgio Sauim Castanheiras, unidade de conservação municipal, administrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), encaminhou, na semana passada, duas fêmeas da espécie *Saguinus Bicolor, também conhecida como Sauim Castanheiras ou Sauim de Manaus, para o Zoológico da Cidade de Bauru (SP), onde permanecerão em definitivo. A transferência dos animais foi feita com o acompanhamento do Ibama, que autoriza o procedimento. Lá, as fêmeas serão colocadas na companhia de um único indivíduo macho, da mesma espécie, na tentativa de iniciarem a formação de um grupo a partir da reprodução. O encaminhamento de animais de espécies criticamente ameaçadas de extinção, como é o caso do sauim, é uma das inúmeras atividades desenvolvidas na unidade.

O veterinário Laérzio Chiezorin, gestor do Refúgio, explica que o encaminhamento só ocorre quando os animais não têm mais condição de serem devolvidos à natureza. “O processo é feito via Ibama, onde a superintendência do órgão no Amazonas entra em contato com a superintendência do Estado de destino para verificar as condições do destino do animal, e se, por exemplo, o local tem condições de recebê-lo”, afirmou. As duas fêmeas – uma adulta e outra juvenil – vão ser colocadas no mesmo recinto em que se encontra o macho da mesma espécie. A chegada delas no

local não vai significar necessariamente que vão reproduzir. “O padrão primeiro é formar grupos visto que os sauins são animais gregários e que não podem viver sozinhos, mas a cópula está vinculada a uma serie de fatores, como por exemplo que os indivíduos se reconheçam e se socializem, inclusive com um padrão hierárquico definido”, observou Chiezorin.

Como não tem condições de retornar à vida livre, a única alternativa para o sauim castanheiras é ir para o cativeiro final e a formação de colônias é uma das estratégias para preservação da espécie. O procedimento é recomendado pelo Comitê de Primatas Neotropicais, do Rio de Janeiro, que possui pesquisadores de renome do Brasil e do exterior, responsáveis por algumas espécies. No caso do sauim-de-manaus, o responsável é o pesquisador Alcides Pissinatti, do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.