12/09/17 | 11:23 AM
Prefeitura de Manaus instala quarto jardim comunitário no entorno do Parque Nascentes do Mindu

Desenvolvido em parceria pela Prefeitura de Manaus e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o Projeto Espaço Público Livre de Sujeiras: Transformando em Jardins Comunitários vem modificando a paisagem das ruas que circundam uma das mais importantes unidades de conservação municipais: o Parque Municipal Nascentes do Mindu, situado na Cidade de Deus, Zona Norte. O parque abriga as três nascentes do Igarapé do Mindu, o maior igarapé de Manaus, com 22 quilômetros, mas convivia com a ameaça constante causada pela destinação incorreta de resíduos em trechos limítrofes à área protegida. As lixeiras viciadas acabavam carreando o lixo para dentro do parque. Desde o ano passado, aproximadamente 300 metros quadrados de área já foram transformados em jardins, com 2,1 toneladas de lixo retiradas.

O trabalho é realizado pelos alunos do curso de Turismo da UEA, sob coordenação da professora e geógrafa Selma Batista, e os técnicos das secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), gestora da unidade, Limpeza Pública (Semulsp) e Infraestrutura (Seminf). “A ideia parte do pressuposto de que se retiramos as lixeiras viciadas do entorno estamos aumentando a proteção ao parque e, consequentemente, às nascentes, além de melhorar a qualidade de vida dos moradores, seguindo a determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Antonio Nelson de Oliveira Júnior.

Foram identificados cinco pontos de lixeiras viciadas no entorno do Nascentes do Mindu. Desses, três já foram transformados em jardins e estão sendo conservados pela própria comunidade. “O objetivo do projeto é, antes de mais nada, promover o empoderamento dos comunitários residentes nos locais, dando a eles a co-responsabilidade socioambiental de cuidar e ajudar a manter os jardins”, observa a gestora do parque, Fátima Nascimento.

O projeto mobiliza a comunidade juntamente com os órgãos públicos municipais, que atuam nas ações de limpeza e remoção dos resíduos e na requalificação urbanística das áreas. Segundo o diretor de Áreas Protegidas da Semmas, para a Prefeitura de Manaus, a participação popular na iniciativa é a garantia de que não haverá mais descarte de resíduos nesses locais.

Os três primeiros jardins implantados ficam nas ruas Beija-Flor, Japiim e Bem-te-vi. Os dois primeiros foram entregues em 2016 e estão bem-cuidados. O mais recente ficou pronto em junho deste ano, no encerramento da Semana do Meio Ambiente. O próximo a ser implantado fica na Rua Salva de Marajó. A ação acontecerá no dia 23/09, reunindo moradores, estudantes, professores da UEA e técnicos da Prefeitura de Manaus, numa manhã inteira de atividades, das 8h30 às 12h

“Foi feito um mapeamento em todo o perímetro do parque para a identificação dos chamados pontos críticos. O quinto e último ponto será o da lixeira viciada da Rua Andorinha, que passa na frente do parque. O lixo é descartado pelos moradores, muitas vezes, dentro do parque. Feito isso, o desafio será manter os jardins e o envolvimento da população”, afirma Fátima Nascimento.

Selma Batista explica que dos cinco jardins, o da Salva de Marajó é o mais crítico porque está situado em área de baixio com impacto direto sobre o igarapé do Mindu. “É a única lixeira viciada que estava no curso do igarapé e na área mais baixa da topografia do parque, diferentemente da Rua Andorinha, que é uma área de fluxo e necessita de uma maior conscientização por parte das pessoas”, afirmou Selma, que é geógrafa.

Para a professora, apesar de ter como foco a transformação dos espaços em jardins, o projeto vem conseguindo, a partir da interação com os órgãos da Prefeitura de Manaus, realizar intervenções urbanísticas significativas como recapeamento de ruas, meio-fio, limpeza de bueiros, o que é gratificante porque significa alcançar o empoderamento do espaço pela comunidade. Escolas, associações, igrejas começam a utilizar os espaços como referência para suas atividades. “Tudo isso ao longo de 13 meses”, explica Selma.

Para os alunos, fica a vivência na prática. “Todos são voluntários e acabaram ampliando a rede de colaboradores do projeto. Hoje, grupos que desenvolvem atividades de extensão dos cursos de música e teatro, por exemplo, integram essa rede de proteção ao igarapé do Mindu”, comemora a geógrafa. A estimativa é de que seja retirado da Salva de Marajó algo em torno de 2,1 toneladas de lixo. O projeto já realizou o plantio de 600 mudas – entre ornamentais e arbóreas – e diversas intervenções na comunidade, como palestras, exibição de filmes, apresentações de canto coral e teatro.

Fotos: Arlesson Sicsú / Semmas e Divulgação / Semmas